segunda-feira, junho 05, 2006

Dos leitores

"Quando há uma semana descobri este blog sabia pouquíssimo sobre o que se passava em Timor-Leste e foi para conhecer mais que passei a ler tudo quanto aqui (e na Lusa e nos jornais e semanários portugueses e noutros blogs) se publicava.

Como traduzi alguns interessantíssimos textos que aqui publicaram posso hoje dizer que me parece conhecer bem melhor o que aí se passa. Disso estou agradecidíssima a este blog que me deu tantos conhecimentos. E como qualquer pessoa, com mais conhecimentos vou arriscando a dar mais opiniões. Por isso dei a opinião que para salvar uma vida às vezes é preciso cortar uma perna (ou as duas) se estão gangrenadas. Esta opinião não tem cor nem é radical e de originalidade nada tem. É uma simples constatação de bom senso e de quem até já trabalhou num hospital. Mas pela sua reacção parece que tocou numa zona sensível.

Depois parece-me que o Anónimo se arroga o direito de ter as suas escolhas mas que me nega esse mesmo direito. Com clareza, sem subterfúgios já expliquei que para mim a soberania é um valor extremamente importante e é à luz desse valor que tendo a fazer as minhas escolhas. No que diz respeito à Fretilin defendo que as escolhas só dizem respeito aos seus militantes; no que respeita à governação do país defendo que as escolhas só dizem respeito ao seu povo no respeito pela Constituição, pelas leis e sem imposições pela violência. Se isso faz de mim aos seus olhos um defensor do PM ou do governo acho que o mérito é do PM e do governo. E é uma escolha tão válida como a sua.

E ainda bem que há esta liberdade de divergirmos nas escolhas. Mas o que me parece pouco elegante é por causa disso vir logo acusar-me de mercenarismo.

É-lhe assim tão difícil de entender que haja genuína solidariedade duma portuguesa pelos timorenses e por quem me parece estar a trabalhar com determinação pela sua soberania? "

7 comentários:

Anónimo disse...

Downer issues warning on Alkatiri resignation

East Timor could be plunged into further crisis if its embattled prime minister Mari Alkatiri is forced to resign, Foreign Minister Alexander Downer says.

Dr Alkatiri has been blamed for causing much of the country's recent problems and has become embroiled in a row with President Xanana Gusmao about the president's use of emergency powers.

Mr Downer warned today against assuming that Dr Alkatiri's resignation would solve the gang violence and looting that has gripped the capital Dili.

"The prime minister's party, Fretilin, has a very clear majority in the parliament," he told the Seven Network.

"If he was just forced to resign somehow, and especially by outside sources, my estimation is that that would destabilise the country still further."

Mr Downer said Dr Alkatiri's resignation could be politically unpalatable for his ruling Fretilin party, which would not want to contest upcoming elections after having its leader forced out under foreign pressure.

"I think they've got to work these things through perhaps in a more subtle way," he said.

Meantime, Mr Downer defended Australian forces against suggestions they had stood by while rioting and looting took place.

"They are required to enforce law and order as best they can, but it's not a very easy situation for them," he said.

"As the week has worn on they've gradually got more and more control on the situation.

"Overall I think the Australian soldiers have done a simply outstanding job in restoring stability."

Later, Mr Downer said a further 35 Australian police officers will arrive in Dili today and they would soon be joined by hundreds of others from Malaysia, Portugal and New Zealand.

"The international police are now starting to come in," Mr Downer told the Seven Network today.

"We've got another 35 Australian police going in today and they'll be very welcome there.

"There are about 250 Malaysian police who are going to come into East Timor in the next few days.

"There are also 120 Portuguese police, paramilitaries really, so with those contingents of international police, also New Zealanders, there'll be quite a strong police presence."

Mr Downer said it could be several weeks before the United Nations took control of the international police forces in Dili, if indeed it sought to do so.

"There has to be a new resolution passed through the United Nations Security Council. I wouldn't expect that for five or six weeks yet," he said.

AAP

Anónimo disse...

Como Timorense dou me como grato que o povo Português ainda mantem o seu carinho e interesse pelos assuntos de Timor e pelo seu povo. É com muita felicidade que registo esse interesse em saber mais e ajudar Timor a tornar-se numa verdadeira democracia que o povo sempre desejou e pelo qual lutou. Continue!

Mas devo-lhe dizer que para conhecer bem Timor e os assuntos que neste momento causam tanto sofrimento ao povo inocente traduzir textos nao basta. A sua metáfora quanto a amputação de uma ou duas pernas gangrenadas para salvar uma vida pode possuir uma lógica inegavel numa situação médica de cirurgia, mas pode ser um ultraje quando feita em referência a um acção que, ao contrário de salvar uma vida, causou a perda de muitas vidas de cidadãos timorenses indefesos.

Pergunte a si mesma como lhe responderiam os familiars daquelas almas indefesas que foram assasinadas a sangue frio em Taci-tolu (alvo da sua referência). Ainda que possa não ter sido essa a sua intenção, o seu comentário so serviu para defender o indefensivel. Primeiro para justificar a morte de timorenses e, Segundo, autorgar a decisão dos responsáveis desse crime, que visto sob a perspectiva da objectividade não corresponde a nada mais que assasínio sancionado pelo Estado.
O direito à vida é o direito mais fundamental que qualquer ser humano poderá alguma vez possuir. Ninguem merece que esse direito lhe seja negado por ser detentor de opiniões diferentes ou mesmo por ter incendiado um carro a frente do palacio do governo que é do povo. Saiba que a Constituição de Timor rejeita a pena de morte como punição para qualquer que seja o crime.

Penso que o Anónimo tem razão de se sentir indignado com essa sua afirmação.

Disse que fez a sua escolha. Penso que a escolha mais acertada deve sempre ser a da defesa dos direitos fundamentais do ser humano e nao posições partidárias que de quando em quando, ainda que legítimas, violam esses mesmos direitos! Acredito no mesmo que você. A tal soberania. Mas devo dizer que essa soberania reside no povo que, conferida temporariamente aos seus orgãos eleitos, os legitima. Essa legitimidade cessa no preciso momento em que os mesmos abusam dos poderes à eles conferido e o usam contra o povo que deviam servir.

Tendo dito isso, a minha escolha é a do respeito pelos direitos humanos, a verdade, justiça e acima de tudo direito à vida.

Pouco me importa quem governa, quem é o PM, quem é o partido no governo desde que governem pelo bem estar do povo e pela estrita observância da lei. Porque devem ser os primeiros a dar o exemplo.
Não sustento qualquer animosidade pelo PM ou o governo da Fretilin. Faria as mesmas críticas com as mesmas convicções fosse governo do PD, ASDT, PSD ou outro partido qualquer a cometer tal erro. Porque os governos e partidos políticos são entidades de natureza transitória com o próposito único de defender o povo.
Não duvido que queira ajudar os timorenses a defender a sua soberania. Mas peço lhe que o faça com sensibilidade e ponderação.
Existem sempre duas faces numa so moeda.

Anónimo disse...

Anónimo das 11:03:31 PM: pelo que escreveu, para você, à frente de tudo, o mais importante é que não se espere pelo relatório sobre os incidentes de 28 de Abril, que não se apure a verdade, e (sem a verdade se apurar) que não se punam os responsáveis.

Por isso mesmo fala desses incidentes – de que sublinho ainda não há relatório – com a sua versão e quer-nos convencer que a sua versão é única, verdadeira, universal e inquestionável. E sobre esses incidentes já concluiu que: foi uma “acção que (…), causou a perda de muitas vidas de cidadãos timorenses indefesos”, “almas indefesas que foram assasinadas a sangue frio”, “assasínio sancionado pelo Estado”.

E sobre os implicados descreve-os como pessoas a quem o “direito (à vida)” lhes foi “negado por serem detentores de opiniões diferentes ou mesmo por terem incendiado um carro a frente do palacio do governo (…)”. E até insinua que lhes foi aplicada a pena de morte (“Saiba que a Constituição de Timor rejeita a pena de morte”).

Ora eu não tomo a sua versão como inquestionável e fico a aguardar com serenidade a conclusão do relatório. Melhor seria que também você não pusesse o carro à frente dos bois e que tivesse a humildade de esperar em vez de à toa concluir e acusar.

Sobre as minhas escolhas, desculpar-me-à mas são questões da minha soberania e nelas mando eu. Tal como você manda nas suas.

Sobre o julgamento das acções e da política do governo lembro-lhe que é uma competência do povo e que faltam cerca de nove meses para ele se pronunciar, pelo voto, nas eleições.

Sobre a soberania ela reside na nação e cessa quando essa nação dela desiste. Se durante a ocupação pela Indonésia a nação timorense dela não desistiu iria agora dela abrir mão?

Quanto aos propósitos dos governos e dos partidos lembro-lhe que os governos são constituídos por cidadãos membros de partidos (ou nomeados pelo partido mais votado). E que os partidos representam partes da sociedade, daí recorrendo que os governos estão ao serviço da parte da sociedade que neles votou.

E quanto à sua referência aos familiares dos falecidos em Taci-tolu eu podia lembrar-lhe a mãe e os cinco filhos mortos em Dili, mas pragmaticamente lembro-lhe o dito dum governante português que após o tremor de terra que destruiu Lisboa no século XVIII dizia que agora o necessário "é enterrar os mortos e cuidar dos vivos". De que faz parte, no meu entendimento, a justa averiguação do que se passou e passa em Timor-Leste.

PS: e se é certo que cada moeda tem duas faces, feijões há que têm dois bicos...

Anónimo disse...

Margarida: Nao acha que esta a ser inconsistente?

Critica o Anonimo em por o carro a frente dos bois e diz:

“Ora eu não tomo a sua versão como inquestionável e fico a aguardar com serenidade a conclusão do relatório”.

Mas ja se esqueceu do que disse anteriormente, cito:

"Também deixei de ouvir referências às tretas dos mais de “60 mortos” e às exigências de inquéritos pela ONU e se até a Lusa ontem fez a peça de ter havido 21 mortos (incluindo os de 28 de Abril) talvez tudo isto seja sinónimo de recuo de mais uma planeada inventona."

E disse ainda:

"Mas independentemente das conclusões, às vezes, para salvar uma vida, é preciso amputar uma perna (ou mesmo as duas) se elas estão gangrenadas." INDEPENDENTEMENTE DAS CONCLUSOES?

Por este andar a Margarida vai perder qualquer credibilidade que possa ter.
Mais uma coisa. Nao critique tanto o Anonimo anterior ate porque acho que ele/a foi “nice” consigo e ate lhe deu um bom conselho. SERENIDADE E PONDERACAO.
Mas devo dizer que para uma portuguesa amiga de timor como diz ser, a sua atitude e muito militante. Nao acha? Responde a tudo e a todos que criticam as accoes do governo, Faz traducoes mas somente dos artigos convenientes… isso e quase trabalho a tempo inteiro.

HanoinTokBa

Anónimo disse...

Olá HanoinTokBa, então veio dar uma mãozinha ao amigo anónimo? De qualquer modo, seja bem-vindo!

Esta terá que ser rápida pois já estou no emprego e o trabalho espera-me.

Vamos por partes: está você a sugerir que as conclusões do tal inquérito já saíram? Eu penso que não, mas se tem outros dados pode s.f.f. indicar-me onde os obter? E não há contradição nenhuma entre o que disse: é uma realidade que no final de Abril houve imensas notícias sobre os mortos (56, 60, etc,) e agora falam em 21 mortos incluindo esses de 28 de Abril. Como também não há inconsistência nenhuma com o que disse e que foi “para salvar uma vida às vezes é preciso cortar uma perna (ou as duas) se estão gangrenadas”.

Quanto às traduções que tal dividirmos a tarefa entre os dois? Se sabe dizer que um artigo é “inconveniente” é que o percebeu, logo se calhar percebe mais de inglês do que eu: assim (e se for preciso) o amigo HanoinTokBa traduz os artigos “inconvenientes” e se for preciso, eu traduzo os outros. Está de acordo? Então bom serão, boa noite que a mim espera-me o trabalho. Até logo!

Anónimo disse...

Ola para si tambem Margarida e um bom dia de trabalho!

Nao estou a sugerir que os resultados ja tenham saido. Ate pelo contrario. Receio que esses resultados nunca venham a sair do mesmo modo que os resultados do inquerito de 4 de Dezembro (lembra-se?) a muito tempo nas maos do governo ainda nao saiu. Apesar da insistencia de muitos para que os resultados fossem feitos publicos.

A sua inconsistencia esta em dizer que o anonimo devia esperar pacientemente pelos resultados e depois, nas suas proprias palavras, anticipa-se aos mesmos resultados categorizando as afirmacoes do anonimo como "tretas", "inventona".
Pior ainda foi quando disse que "independentemente das conclusoes", que ate podem verificar nao so o numero de mortos mas tambem a ilegalidade da accao que causou essas mortes, essas pernas deviam ser amputadas (as mortes) para salvar uma vida (o governo).

Nao esta claro?

HanoinTokBa

Anónimo disse...

HanoinTokBa: vamos ver se entende o que eu disse: sobre o número de mortos, a única afirmação objectiva é a do director do Hospital que lá recebeu 5 corpos - o que tem que admitir é bastante inferior aos 56 ou 60 de que o Reinadas não se para de mencionar. Sobre o que desencadeou os acontecimentos propriamente ditos, responsáveis, etc., ainda a Comissão nomeada para inquirir nada disse e portanto estas bocas que aqui aparecem, nomeadamente as que acusam e/ou responsabilizam o PM são bocas à toa, infundadas, nada valem. E sobre elas eu a única opinião que dei é que se deve esperar pelas conclusões da comissão. ESPERAR. Todas as bocas sobre o assunto são isso mesmo bocas à toa e não fundamentadas e deve-se ESPERAR pelas conclusões do inquérito. E desafio-o a pôs aqui essa minha frase em que insiste em que eu digo "independentemente das conclusões". Faça-me esse favor.

Mas o que parece é que Reinadas&friends querem ser juízes em causa própria e este frenesim em espalhar este tipo de acusações SEM haver ainda conclusões do inquérito já começa a revelar sinais de desespero. Eu o que defendi sobre este assunto e sempre foi que se ESPERE pelo relatório e só depois se tirem conclusões.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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