segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Candidatura de Horta encorajada por Austrália, Indonésia e EUA

Público, 24.02.2007,
Por: Adelino Gomes
José Ramos-Horta desvaloriza manifestações de hostilidade, em Díli, contra países de língua portuguesa

O primeiro-ministro timorense, José Ramos-Horta, minimizou o significado e alcance de certas expressões de hostilidade manifestadas publicamente, nos últimos tempos, em Díli, contra representantes dos países de língua portuguesa.

"Os alegados "ressentimentos" em relação a países da CPLP vêm de um pequeno grupo que está mais politicamente relacionado com facções anti-Alkatiri, que acusam os magistrados desses países de serem tendenciosos", disse Ramos-Horta ao PÚBLICO, referindo-se ao arquivamento do processo contra o antigo primeiro-ministro, por alegada distribuição de armas a civis.

O Nobel da Paz argumenta que "também há sentimentos hostis" manifestados por "outros elementos" em relação aos australianos. "Depende de que lado da "trincheira" se está. Não se consegue agradar a todos", concluiu.

Ramos-Horta respondia a um conjunto de perguntas enviadas de Lisboa, por e-mail, antes de ser conhecida a sua decisão de se candidatar à sucessão de Xanana Gusmão, como Presidente da República.

O gabinete de Horta informou que o primeiro-ministro fará amanhã, domingo, na localidade de Laga, um anúncio sobre as próximas presidenciais, sem falar em candidatura. Segundo o próprio Horta disse ontem de manhã, por telefone, à Rádio Renascença, a Al-Jazira transmitiu as suas declarações, previamente gravadas, 48 horas antes do acordado.

"Encorajamentos"

Na resposta ao PÚBLICO, em que continuava a falar apenas em "possível candidatura", o chefe do Governo timorense disse ter recebido "muitas solicitações" para o fazer, "vindas de centenas de timorenses", muitos dos quais "gente simples do povo", bem como "da Igreja, intelectuais, estudantes e, como se sabe, do Presidente Xanana".

Ramos-Horta cita expressamente a Indonésia, Austrália, Alemanha e EUA entre os países "amigos" de quem diz ter recebido igualmente "muito encorajamento" para se candidatar ao lugar de Xanana Gusmão.

Há muitos bairros de Díli que têm estado "completamente tranquilos", alega Horta, quando confrontado com a situação de insegurança que se vive de novo com alguma intensidade na capital timorense. "A situação de segurança conheceu altos e baixos ao longo destas semanas. A violência tem sido quase toda ela de origem criminal e sem uso de armas de fogo. A maioria dos casos traduz-se em apedrejamentos entre grupos rivais e outras vezes indiscriminadamente contra quem passa em certos sítios", diz.

O actual pico de tensão deve-se à escassez do arroz, sustenta. "Mas esta escassez é generalizada em toda a região. Por exemplo o Timor Ocidental [indonésio] ainda tem maiores problemas e o custo do arroz por quilo é três vezes superior. Há certos elementos que fazem sair arroz para o Timor indonésio, onde tem maior lucro", explicou o primeiro-ministro.

Ramos-Horta nega terminantemente que haja fome, hoje, em Timor-Leste. "Estamos a ajudar a população carente e temos muitos outros géneros alimentícios como milho, batata, mandioca, abóbora, frutas, muito gado, etc.", informou.

Notáveis entregam relatório

De regresso a Timor-Leste, José Ramos-Horta recebeu o relatório final da Comissão de Notáveis, criada para investigar acusações de discriminação étnica no seio das Forças Armadas.

Esta discriminação é apontada, geralmente, como causa directa da divisão ocorrida há um ano no exército timorense - as F-FDTL, que foram abandonadas por cerca de um terço dos seus efectivos, expulsos posteriormente das fileiras. Os habitantes da parte ocidental, chamados loromonu, são acusados por alguns de se terem envolvido menos na luta armada do que os da parte oriental, Lorosae, durante os 14 anos de ocupação militar, pela Indonésia, da antiga colónia portuguesa.

Na sequência das acusações, forças militares envolveram-se em Abril/Maio passados em confrontos sangrentos entre si e com as forças da Polícia Nacional, levando à crise que culminou com a demissão de Alkatiri.

Não foram reveladas as conclusões do relatório da comissão, que será agora discutido em Conselho de Estado e em Conselho Superior de Defesa e Segurança, noticiou a Lusa.

Levantando um pouco o véu, o porta-voz da Comissão dos Notáveis, padre António Gonçalves, disse que "as conclusões não culpam especialmente as F-FDTL ou os peticionários, o que quer dizer que houve erros mas também medidas certas de ambas as partes", indica um comunicado governamental.

Ramos-Horta anuncia amanhã, numa localidade fora da capital, a sua candidatura a Presidente de Timor-Leste

1 comentário:

Anónimo disse...

Entao quer dizer que o Horta e o candidato dos internacionais....dos que tem interesse dominar o pais. Quer dizer que sao eles e que vao escolher e?

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
This is my blogchalk: Timor, Timor-Leste, East Timor, Dili, Portuguese, English, Malai Azul, politica, situação, Xanana, Ramos-Horta, Alkatiri, Conflito, Crise, ISF, GNR, UNPOL, UNMIT, ONU, UN.